Microsoft oferece crédito de $100 para estudantes.

Recentemente a Microsoft anunciou que oferecerá crédito de 100 doláres para estudantes no Azure com o intuito de encorajá-los a criar e testar aplicações na nuvem. Não é necessário cadastrar um cartão de crédito como em outros métodos de crédito oferecidos pela Microsoft.

A eligibilidade ao programa é feita através de uma verificação através do domínio do e-mail cadastrado, o que pode ser um ponto negativo pois acredito que as faculdades fornecerem um e-mail aos alunos não é uma prática comum no Brasil.

O crédito tem validade de doze meses e junto aos 100 USD também são oferecidos por doze meses a utilização de mais 25 produtos do Azure como 750 horas de VMs Linux, 250GB de bancos SQL e 10 App Services (web, mobile ou API apps). Mais informações sobre o programa podem ser encontrados no link oficial do Microsoft Azure.

 

Microsoft atualiza conteúdo do exame Azure 70-532

Recentemente decidi por tirar minha primeira certificação Microsoft, na verdade do serviço de Cloud da Microsoft o Microsoft Azure. Até então só realizei provas de certificação de Oracle, AWS e RedHat, esta última com a prova realizada no fim do treinamento oficial, com o conteúdo fresco na cabeça tudo fica mais fácil. Para ser sincero eu sempre tive a impressão de que as provas da Microsoft eram as mais tranquilas, tamanho a quantidade de pessoas que vejo com múltiplas certificações Microsoft, Cria da comunidade opensource, há uns dez anos atrás eu tinha um preconceito enorme com qualquer produto criado pela empresa de Bill Gates, mas hoje dez anos mais maduro e participando mais ativamente do mundo das grandes corporações eu aprendi a também a admirar a Microsoft,  não exatemente pela qualidade de seus produtos mas sim pela flexibilidade e sua capacidade comercial, os diretores e gerentes corporativo precisam reduzir seus custos e bater suas metas, TI é custo e a Microsoft costuma entender isso bem. Também vale ressaltar que a admiração que hoje tenho por Bill Gates, é um prazer tentar acompanhar sua mente brilhante nas redes socias.

Pois bem, dado essa mudança no meu mindset resolvi me dedicar a estudar também o Azure, como fiz com o AWS, onde atualmente sou associado. Como minhas raízes são de desenvolvimento e automação optei por me dedicar a certificação 070-532 que tem como título “Developing/Desenvolvimento de Microsoft Azure Solutions”. O conteúdo passa pelo serviços básicos da Azure que são os abaixo, porém com foco em automação e orquestração:

  • Create and Manage Azure Resource Manager Virtual Machines (20-25%)
  • Design and Implement a Storage and Data Strategy (25-30%)
  • Manage Identity, Application, and Network Services (10-15%)
  • Design and Implement Azure Compute, Web, and Mobile Services (35-40%)

Como fiz na prova do AWS estou usando como fonte principal o treinamento da UDemy, mas ai vem minha surpresa: o conteúdo da prova é constantemente atualizado e alterado pela Microsoft sem muito aviso prévio. Em meados de Maio 2018 se soube de uma notificação de Março da Microsoft em que seguintes tópicos agora fazem parte da prova. Todos “HotTopics”, porém pode pegar muita gente desavisada, o curso da Udemy por exemplo (hoje ainda) não cobre nenhum desses tópicos. Dá pra entender perfeitamente o fato de novos produtos do Azure estarem entrando e se atualizando pois o mercado é muito dinâmico e os fornecedores de Cloud precisam se manterem competitivos e os consumidores pedem a integração de produtos mais funcionais para a TI atual, portanto se está estudando para alguma certificação do Azure fique de olho nessas atualizações de conteúdo da prova. Outros temas não listados abaixo mas que também tem sido relatados por quem tem feito a prova são Service Fabric e containers, códigos C# . NET, Coding Workflow e Powershell Command Line CLI.

Virtual Machines:

  • Ansible
  • Accelerated Networking
  • Availability Zones
  • Claim and Unclaim VMs using DevTest Labs

Storage:

  • Virtual Network Service Endpoints
  • Azure Files Backup
  • Redis Geo-Replication
  • Azure Search Synonyms

App Services:

  • App Service Isolated
  • Serverless Applications
  • Distribute Mobile App
  • Mobile App Analytics
  • Collect Crash Data
  • Location Aware Applications

Kubernetes:

  • Create Container Images
  • Azure Container Registry
  • Docker Hub
  • YAML Application
  • Scale Applications
  • Update Applications
  • Container Monitoring in Log Analytics
  • Development Cluster
  • Configuration Values

Para se manter ainda mais atualizado existe um grupo não oficial do Microsoft Azure no Facebook: https://www.facebook.com/groups/azureusergroupunofficial/

Ainda devo levar um mês ou mais para me sentir confortável a fazer a prova porém prometo dar aqui meu feedback assim que feito, muito pelo fato de ser bem crú o C# .NET (o meu preconceito aqui era enorme), mas hoje já fiz minhas primeiras automações no Azure e estou aceitando bem, o Powershell já não era novidade visto a necessidade de aprender devido há anos trabalhando com parceiros Microsoft, mas hoje vejo Powershell com bons olhos e grande futuro, como vejo em outros produtos da Microsoft, não é lindo, mas atende.

Caso eu tenha dito alguma informação que o leitor discorde ou possa acrescentar algo sobre a maneira da Microsoft trabalhar e sobre suas certificações por favor comente abaixo pois será muito bem-vindo.

Oracle dobra custo de licença para bancos de dados em Clouds concorrentes

Não é novidade que nos últimos anos a Oracle tem mudado a maneira de lidar com seus clientes e licenças, auditorias e importantes mudanças no seu modelo de licenciamento tem acontecido com maior frequência, podemos destacar as recentes mudanças na licença Standard Editon 2, e descontinuação das licenças Standard Edition One e Standard Edition, o que de certa forma forçou clientes a adquirir novas licenças mais caras, e nem sempre sendo flexível como em outrora. A última ‘bad news’ é que a Oracle dobrou o custo de licença do Oracle Database para o AWS e Azure. Este tipo de movimento pode acelerar o processo de saída da Oracle visto que a empresa claramente tenta frear um movimento natural na indústria de TI, a migração para a cloud, em um cenário onde cada vez mais as pessoas se mostram irritadas com softwares proprietários, caros licenciamentos e amarração a fornecedores.  Há 10 anos atrás não existiam no mercado tantas opções de bons bancos de dados como existem atualmente, mas hoje a Oracle conta com as aplicações proprietárias que apenas rodam sobre Oracle Database ou aplicações legadas que escreveram muitas funcionalidades no lado do BD, se aproveitando das muitas boas features que o Oracle DB oferece. Assim, hoje a Oracle conta com estes trunfos: o custo da migração destes sistemas legados junto ao medo de perda de performance que pode acontecer ao migrar para outros RDBMS’s,  junto a isso existe o apelo para que os clientes migrem para a Oracle Cloud, que ainda engatinha em comparação as outras. Vemos pelos fórums da vida que em muitas empresas existem ordens para que não se construa novas aplicações em cima de BD Oracle, talvez se a Oracle aplicasse preços mais razoáveis tal movimento poderia ser freiado, os produtos e suas features dispensam comentários mas aparentemente ela tem preferido colocar os clientes contra a parede objetivando resultados imediatos, fazendo que seus clientes tenham que optar por novos RDBMS’s para suas aplicações.

A mudança de cálculo nas Clouds suportadas (e concorrentes…)

Recentemente a Oracle fez um anúncio que pegou os usuários, entuasistas e arquitetos de surpresa. Ela mudou a forma de cálculo de licenças necessárias para os provedores de nuvens autorizados, AWS e Azure atualmente. O documento oficial pode ser encontrado aqui. A mudança em termos práticos dobra o número de licenças que era necessário para hospedar o seu banco de dados nestas clouds.

Para os provedores de nuvem autorizados os produtos da Oracle são licenciados por core físico. Um core físico na nuvem equivale a um core físico intel. A distribuição dos core físicos nas nuvens varia de acordo com o provedor de nuvem e sua utilização ou não de hyper-threading. No AWS cada vCPU está associado com um single thread devido a utilização do hyper-threading então cada 2 vCPUs equivalem a um core físico. Já no Azure, cada vCPU está diretamente associado com um core físico, já que a Azure não faz uso de hyper-threading. O licenciamento de banco de dados Oracle na nuvem antes do anúncio de Janeiro funcionava como abaixo:

TipovCPUsCores físicos# Licenças
Servido físico--88*0.5=4
AWS (EC2/RDS)1688*0.5=4
Azure888*0.5=4

Após o fatídico anúncio de Janeiro a Oracle remove o fator que multiplica por 0.5 o número de licenças necessárias para cada core e o número de  licenças necessária para rodar Oracle Database na Cloud dobra:

TipovCPUsCores físicos# Licenças
Servido físico--88*0.5=4
AWS (EC2/RDS)1688
Azure888

A principal diferença é que agora o Core Factor não se aplica ao provedores de nuvens, sendo assim o “0.5” não faz mais parte do cálculo. Sendo assim qualquer Oracle Database que se hospede no AWS ou Azure terá como custo em licenças o dobro do que custara anteriormente. É claro que contratos anteriormente assinados ainda são válidos sobre o novo modelo de licenciamento.

Mas por que a Oracle faz isso ?

Se tivesse que responder essa pergunta com apenas um nome (ou um produto!) seria: Oracle Cloud Platform. Desde das mudanças no licenciamento Standard se percebeu uma estratégia de tentar levar clientes de pequeno e médio porte para a Oracle Cloud. Agora diante desta recente mudança no cálculo se percebe mais um movimento para forçar a adoção de utilização da Oracle Cloud caso a estratégia do cliente seja usar Oracle Database na cloud. AWS e Azure são concorrentes diretos da Oracle Cloud e estão muito na frente, tanto em termos de market-share quanto em termos de features e APIs. Há quem exagere e diga que tal estratégia da Oracle e tão anticompetitiva quanto a usada pelo Microsoft com o Internet Explorer no ano de 2001, quando foi acusada de monopólio de mercado. Para ambientes rodando sobre VMWare por enquanto nada muda, bastando licenciar todos CPUs.

E quais são as outras opções de RDBMS ?

  • SQL Server 2016

Com modelo de licenciamento similar ao Oracle DB porém um preço muito mais acessível o banco de dados da Microsoft tem liderado o mercado e não fica atrás para a Oracle em termos de performance e segurança, levando grande vantagem quando o assunto é Business Intelligence, como DBA tenho que dizer que o banco de dados da Oracle é muito mais maleável em termos administrativos, porém aqui nosso foco é custo. Além disso a MS oferece serviços de migração e treinamento gratuito para empresas dispostas a migrar de Oracle para SQL Server.

Mais info: https://www.microsoft.com/en-us/sql-server/sql-license-migration

  • EDB Postgres

EnterpriseDB é a empresa que oferece uma versão enterprise para o BD open-source Postgres, tal produto se chama EDB Postgres Advanced Server e agrega melhorias de administração, segurança e performance a versão open-source. Junto a isso a EDB criou total compatibilidade com o Oracle DB, com o objetivo de que códigos PL/SQL, user-defined functions, triggers, datatypes e etc. funcionem no EDB Postgres sem qualquer alteração. O modelo de licenciamento é baseado em subscriptions anuais com base no número de Unicores (CPU físico ou vCPUs) e tem preços muito abaixo do SQL Server 2016. Fica claro que a  EDB tem como objetivo abocanhar parte dessa fatia de consumidores que estão colocados contra a parede pela Oracle e estão dispostos a topar o desafio da migração.

Mais info: https://www.enterprisedb.com/blog/oracle-migration-strategy-%E2%80%93-getting-started

  • Azure SQL

Para os que buscam os benefícios de estar na cloud como disponibilidade, escabilidade, abstração de administração de hardware, e menor custo de manutenção existe a opção do Azure SQL que é o SQL Server oferecido “as a Service” na nuvem da Microsoft. O SQL Azure permite Geo-replication que é a disponiblidade de um secondário nó offline, dentro da mesma área geográfica mas numa região diferente.  Algumas limitações de features precisam ser verificadas. Como na maioria dos serviços na nuvem o modelo de cobrança é por horas utilizadas e os níveis de serviço oferecidos são Basic, para bancos pequenos, Standard, a opção padrão para aplicações e Premium, para bancos de dados com alto número de transações e usuários concorrentes.

Mais info: https://azure.microsoft.com/en-us/pricing/details/sql-database/

  • AWS Aurora

Também oferecido na cloud em forma de serviço, só que pela AWS, aqui inicialmente não temos um concorrente direto do Oracle DB visto que é uma versão do MySQL optimizada pela AWS, porém a AWS promete que pode sim substituí-lo entregando a mesma confiabilidade e performance por um décimo do custo. Sinceramente não acredito que ainda tenha tal potencial mas vejo o Aurora DB como o mais promissor da lista. O Aurora DB oferece ferramentas para migração e conversão dos schemas (AWS Database Migration Service and AWS Schema Conversion Tool) e promete fazer a migração com mínimo downtime. O cálculo do custo é feito com base no storage utlizado para banco e backups, no IO utilizado, na quantidade de dados que entra e que sai do banco e no tipo de instância que é escolhida, tendo como maior potência razoáveis 32 vCPUs e 244 GB RAM. O pagamento é mensal e varia de acordo com a utilização dos itens acima citados.

Mais info: https://aws.amazon.com/getting-started/projects/migrate-oracle-to-amazon-aurora/

Considerações finais

Toda esta pressão que têm sido feita em cima dos clientes por novas licenças pode gerar resultados no curto-prazo, com metas de venda batidas e bons resultados nos demonstrativos trimestrais porém no médio e longo prazo a Oracle deveria se preocupar com a possibilidade de que novas aplicações podem ser construídos sobre Oracle Database em último caso e para os consultores e DBAs convencer clientes a usar seu banco de dados porque as features são maravilhosas é cada vez tarefa mais árdua. Os belos discursos de venda da Oracle ainda não são capazes de convencer que a migração para a cloud da Oracle é a melhor estratégia, só me parece necessária quando é mandatória a presença numa cloud pública usando um Oracle DB. Ainda continuo um entusiasta do Oracle Database, sou certificado OCP e conheço o tamanho do potencial mas fico com a impressão de que a empresa de Larry Elison possa estar rumando a perigosa estratégia do imediatismo dos número e possa colher frutos amargos no futuro dos bancos de dados, seja na nuvem ou não.